«Eis o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-se e consumir-se, para lhes testemunhar seu amor; e por reconhecimento não recebe da maior parte deles senão ingratidões.»(Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque)

sexta-feira, 6 de julho de 2018


PRIMEIRA SEXTA-FEIRA DO MÊS DE JULHO, DEDICADA AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS


Sagrado Coração de Jesus
Luigi Galizzi (1873-1875). Bérgamo-Itália
CORAÇÃO DE JESUS, MODELO DE HUMILDADE

Oh! Quanto é bela a alma ornada da virtude da humildade! O humilde de coração, nos diz S. Paulino, torna-se o Coração de Jesus Cristo mesmo: Humilis corde Cor Christi est. E por quê? Porque a humildade nos une ao Coração de Jesus Cristo, que é a humildade mesma, como ele nos ensina por sua própria boca: Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração (Mt 11,29). Antes de Jesus Cristo, esta bela virtude era pouco conhecida e pouco estimada, ou antes era aborrecida sobre a terra; por toda a parte reinava o maldito orgulho, que causou a desgraça de Adão e de todo o gênero humano; por isso o Filho de Deus veio do céu para nos ensinar, não somente por sua palavra, mais ainda por seu exemplo; a este fim, ele se humilhou até fazer-se homem, tomando a forma de servo (Fl 2,7). Ele quis até, entre os homens, ser tratado como objeto de desprezo e como o último de todos, conforme o que disse Isaías (Is 53,3). Com efeito, em Belém, nós o vemos nascido num presépio e deitado numa manjedoura; em Nazaré, vemo-lo desconhecido e pobre numa oficina, fazendo o ofício de servo de um pobre artesão. Vemo-lo, finalmente, em Jerusalém, flagelado como escravo, esbofeteado como um homem vil, coroado como rei de teatro e crucificado como criminoso. Escutemos agora, o que ele nos recomenda: Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais vós (Jo 13,15). Como se dissesse: Meus filhos, se abracei todas estas ignomínias, é para que, seguindo meu exemplo, não as desdenheis.

Santo Agostinho, falando da humildade de Jesus Cristo, diz que, se tal remédio não nos cura de nosso orgulho, difícil será achar-se outro meio de nos livrarmos dele. Eis aqui o que o mesmo santo escrevia a um amigo: Se quereis saber qual é a virtude principal, que nos cumpre praticar para nos tornarmos discípulos de Jesus Cristo, e a mais eficaz para nos unir a Deus, dir-vos-ei que é primeiramente a humildade, em segundo lugar a humildade, em terceiro lugar a humildade; interrogai-me quantas vezes quiserdes, sempre tereis a mesma resposta.

A humildade de espírito consiste em nos julgarmos dignos de desprezo; mas a humildade de coração consiste em desejarmos ser desprezados pelos outros e nos comprazermos nas humilhações. Esta é propriamente a humildade que Jesus Cristo veio nos ensinar por seu exemplo, quando disse: Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração. Muitas pessoas são humildes de boca, sem o serem de coração; , diz S. Gregório, pessoas que se declaram criminosas, dignas de todos os suplícios, mas que não creem no que dizem; porque, se alguém as repreende, logo se amofinam, e sustentam que não têm a falta que lhe é imputada, não deram escândalo nenhum, valem mais do que muitas outras a quem não repreendem, etc. Esta humildade é só de boca; não é a humildade recomendada e praticada por Jesus Cristo, isto é, a humildade de coração. A humildade, dizia S. Vicente de Paulo, parece bela em especulação, mas na prática é horrível, porque consiste em amar os abatimentos e desprezos. Conforme S. Francisco Xavier, o amor pelas honras é coisa indigna de todo cristão, que deve ter sem cessar diante dos olhos as ignomínias de Jesus Cristo; quanto mais indigno é esse amor da alma que se diz discípula do Coração infinitamente humilde de Jesus Cristo! Se queremos, pois, santificar-nos, apreciaremos, segundo o conselho de S. Boaventura, viver ignorados e sermos tidos em nada.

PRÁTICA

Evitarei falar em meu louvor; se outros me louvam, humilhar-me-ei interiormente lançando um olhar sobre minhas faltas e dizendo: Eu só valho aquilo que sou diante de Deus. Quando delinquir neste ponto, pedirei logo perdão ao Coração tão humilde de Jesus. Direi muitas vezes esta bela jaculatória:

Jesus, manso e humilde de Coração, fazei meu coração semelhante ao vosso.

(300 dias de indulgência dita uma vez por dia – 25 de Janeiro de 1868)

AFETOS E SÚPLICAS

Ó Coração humilíssimo de Jesus, que, por amor de mim, quisestes ser obediente ate a morte de cruz, como ouso aparecer ante vós e dizer-me discípulo vosso, eu, tão grande pecador, e contudo tão orgulhoso, que não posso suportar um desprezo sem ressentimento? Donde me vem esse orgulho, se, por meus pecados, tenho merecido tantas vezes ser calcado aos pés do demônio nos infernos? Ó Coração divino, abeberado de tantos desprezos, fazei que eu me torne semelhante a vós. Sinceramente desejo mudar meu modo de proceder; por meu amor sofrestes todos os opróbrios; quero por vosso amor suportar todas as injúrias. Meu divino Redentor, pelo fato de abraçardes as humilhações com tanto amor durante vossa vida, vós as tornastes tão honrosas e desejáveis que eu, de agora em diante, ponha toda a minha glória em sofrer convosco e por vós: Longe de mim o pensamento de buscar minha glória em outra coisa fora da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo (Gl 6,14).

Ó humilíssima Maria, Rainha do céu e Mãe de Deus, em todas as coisas e especialmente nos padecimentos, adquiristes a mais perfeita semelhança com vosso divino Filho, obtende-me a graça de suportar com resignação todos os ultrajes que me forem feitos no futuro.

ORAÇÃO JACULATÓRIA

Coração sagrado de Jesus, tende compaixão de mim. (100 dias de indulgência para. os membros do Apostolado da Oração – 26 de Junho de 1867)

EXEMPLO

A bem-aventurada Germana Cousin tinha apenas 22 anos quando morreu em 1601. Sua vida nos mostra que se pode adquirir a santificação em todos os estados (de vida) e em qualquer idade, mas não sem o sofrimento, que é o caminho real da santidade. Aos cinco anos ela perdeu sua mãe. Tendo seu pai contraído novas núpcias, viu-se Cousin sob o jugo de uma cruel madrasta, cujo capricho era obrigar a menina a trabalhar acima de suas forças. Germana, tão estimada de sua mãe, achou duríssima sua nova situação. Também não cessava de chorar; mas pouco a pouco se acostumou a sofrer em silêncio, e a buscar somente na oração e no amor de Jesus e de Maria a consolação e a força de que tinha necessidade nas suas dores. Depois de sua primeira comunhão, sua madrasta, para tê-la longe de sua companhia, decidiu empregá-la na guarda do rebanho. Germana aceitou o cargo sem murmurar. Todas as manhãs, depois de ter recebido um duro pedaço de pão, e tomando lã para fiar, dirigia-se com seu rebanho para um pequeno vale. Lá, sob um velho carvalho, trabalhando ou ajoelhada, ela não cessava de orar. Em certas horas, falava de Deus às meninas da aldeia que eram atraídas por sua doçura, e quando acontecia passar um mendigo, ela dividia com ele seu pão. Quando, ao anoitecer, recolhia-se do campo para a casa, não lhe era permitido aproximar-se do fogão nem da mesa, protestando a madrasta que Germana tinha uma enfermidade que podia passar aos outros meninos; para repousar, destinou-lhe a madrasta um leito de sarmento colocado sob uma escada, numa galeria aberta a todos os ventos. Entretanto, nunca fez ouvir uma queixa. Cada domingo, ela se aproximava devotamente da santa mesa e ficava todo o dia na igreja, perto do Coração do seu Amado. Durante a semana, quando ouvia o sino chamar os fieis para o santo sacrifício da Missa, Germana ardia em desejo de assistir a ele e se unir assim mais intimamente ao Coração de Jesus, sacerdote e vítima. Mas seu dever a retinha perto do seu rebanho.

Um dia, enfim, inspirada pelo alto, ela chama seus cordeiros e ovelhas, planta sua roca no meio deles, recomenda-os aos anjos, e vai tranquilamente à Missa. Ao voltar, encontra o rebanho pacificamente deitado em torno da roca, como o tinha deixado. Desde então, ela não se privou mais da felicidade de assistir ao santo sacrifício.

Cada dia, quando o sino tocava, ela fincava a roca no chão, e os animais dóceis vinham se colocar em torno dela; e embora a floresta vizinha fosse povoada de lobos, nunca faltou-lhe ovelha nem cordeirinho. Para ir à igreja, era preciso atravessar um arroio, que as cheias convertiam em torrentes impetuosas; mas quando Germana tinha de passar, as águas se dividiam, e assim passava para o outro lado sem se molhar. Entretanto, o coração da madrasta não mudava em relação a ela. Um dia em que Germana saía de casa, levando em seu avental alguns pedaços de pão já abandonados, a madrasta, crendo-se roubada, pôs-se à sua perseguição, furiosa, tendo na mão um bastão, ordenou-lhe abrir o avental diante de todos os que tinham se reunido ao redor dela. Germana obedeceu: ó prodígio! O pão tinha desaparecido, e do avental só caíram flores perfumadas e que pareciam colhidas naquele momento; era, entretanto, rigoroso inverno. Este milagre fez a madrasta cair em si, mas Germana estava madura para o céu; acharam-na morta certa manhã sobre seu leito de sarmento. Dois religiosos viram coros de virgens vindas do céu, para acompanharem sua Irmã no glorioso triunfo com que Deus lhe remunerava os merecimentos.




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FONTE: livro “O Sagrado Coração de Jesus Segundo Santo Afonso Maria de Ligório ou Meditações Para o Mês do Sagrado Coração, a Hora Santa e a Primeira Sexta-Feira do Mês”, tradução portuguesa da 83ª edição, por D. Joaquim Silvério de Souza, Quinta Edição/1926, Ratisbona Typographia de Frederico Pustet, Impressor da Santa Sé, pp. 331-337 – Texto revisto, atualizado e adaptado para o português do Brasil)

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