«Eis o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-se e consumir-se, para lhes testemunhar seu amor; e por reconhecimento não recebe da maior parte deles senão ingratidões.»(Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque)
Mostrando postagens com marcador Diversos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Diversos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de junho de 2021

COMUNICADO IMPORTANTE

COMUNICADO IMPORTANTE



Pax.


Aos nossos irmãos e irmãs seguidores e visitantes deste blog LYCEU DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, informamos que a partir desta data não continuaremos mais a publicar postagens neste blog, haja vista alterações promovidas pela plataforma e que dificultam a continuidade de nossas postagens. Todavia, continuaremos a publicar postagens referentes à devoção ao Sagrado Coração de Jesus, através de nosso site, SOU TODO TEU MARIA (VEJA AQUI), na categoria com o mesmo nome deste blog. Lá continuaremos as postagens das Primeiras Sextas-Feiras do Mês, Orações e Devoções ao Sagrado Coração de Jesus, Espiritualidade do Sagrado Coração de Jesus, dentro outras. VISITE-NOS! Cadastre-se em nosso site, SOU TODO TEU MARIA, e receba as nossa atualizações.

Agradecido.

Sagrado Coração de Jesus, venha a nós o vosso reino.

Por Maria a Jesus!

Sou Todo Teu Maria.




sexta-feira, 23 de abril de 2021

JESUS O BOM PASTOR

JESUS O BOM PASTOR


Ego sum pastor bonus: bonus pastor animam suam dat pro ovibus suis

Eu sou o bom pastor: o bom pastor dá a própria vida pelas suas ovelhas” (Jo 10, 11)

Sim, sim, exclama Santo Agostinho, verdadeiramente Jesus é bom pastor: porque ama as suas ovelhas mais que a si mesmo, mais que seu repouso, mais que sua vida. Por elas desceu dos esplendores da sua glória; por elas revestiu-se dos andrajos da nossa humanidade, e condenou-se a uma vida dura, laboriosa e cheia de sofrimentos; por elas esgotou todos os tesouros da sua ternura; por elas finalmente morreu sobre a cruz.

Jesus é o bom pastor; todos os seus instantes, todos os seus suspiros, todos os seus trabalhos, toda a sua vida, todo ele mesmo, tudo isto foi consagrado ao bem das suas ovelhas. Era Deus; e, apesar do seu poder infinito, não pôde fazer mais para lhes testemunhar o seu amor.

Jesus é o bom pastor: vede como suas entranhas se comovem de compaixão por todas essas pobres ovelhas da casa de Israel, errantes e desgarradas.

Por amor delas ele não se dá descanso nem de dia nem de noite; percorre lugares, aldeias, cidades, desertos, à procura de algumas de suas ovelhas; ora, geme, pede a grandes brados tua salvação, e afinal dá a vida para lha obter. Vede-o sobre a cruz: está no momento de expirar no meio das mais atrocíssimas dores, e ainda então o seu amor arrebata ao demônio uma ovelha que este lobo infernal ia devorar: era o bom ladrão. Vede-o, descer uma outra vez do Céu para conduzir ao aprisco outra ovelha desgarrada: Era São Paulo. Que digo? Vede-o, vede este bom pastor ao lado de cada um de nós dizendo-nos incessantemente:

Filho, não fujas: vem, eu te estendo os braços; vem, eu te reconduzirei a pastos muito abundantes; vem, que eu te encherei de minha graça e amor”

Jesus é o bom pastor:

Ele conhece as suas ovelhas, e suas ovelhas conhecem-no a ele”

Oh! Que bom é viver ao pé deste bom pastor tão cheio de ternura por suas ovelhas! Oh! feliz da alma que o não deixa nem um instante: ela recebe da sua própria mão as mais doces carícias e as graças mais preciosas. Ora uma alma permanece constantemente junto a Jesus, pastor divino, quando se esforça por viver no mais profundo recolhimento, humildade e compunção. O recolhimento obtém-se pela oração e pela mais exata e escrupulosa fidelidade a todos os deveres; a humildade adquire-se pela recordação das nossas misérias e impotência para o bem, e sobretudo por humilhações voluntárias; enfim mantém-se em nossa alma a compunção pelo pensamento do amor de Deus para conosco e dos pecados cometidos contra ele.

Jesus é o bom pastor: tem sempre os olhos sobre as ovelhas. Se alguma se desgarra, busca-a por todos os lugares, corre atrás dela com a mais viva solicitude, e não descansa enquanto a não acha e a torna a reconduzir ao aprisco. Ó bom Jesus! Posso eu clamar a todas as criaturas que vós sois o bom pastor, eu que de maneira tão inefável experimentei vossa misericordiosa ternura! Ai! “errei como uma pobre ovelha que corre à sua perdição”; caí de desvario em desvario, deixei-me ir após todos os desregrados desejos do meu coração; deixei o caminho da inocência pelo vicio; “cansei-me nas veredas da perdição”. E, no entanto vós, ó Jesus meu! Vós não me abandonáveis; eu me afastava de vós mais e mais, e vós nunca me perdíeis de vista; todos os meus passos e todos os meus movimentos eram novos princípios; eu entregava-me sem medida ás minhas paixões, e vós guardáveis profundo silencio. “Ó tortuosas vias”! Infeliz de mim que pude capacitar-me que, apartando-me do meu Deus, encontraria outra coisa melhor que ele! Ai! por infelicidade já tenho demasiada experiência das penas e angústias que atormentam o coração ingrato que busca repouso fora de vós, ó doce Jesus! Ah! Que anos passei sem vos amar! Que anos perdi no serviço do demônio, do mundo e dais paixões! Que anos tomei a peito calcar aos pés os sinais do vosso amor e ser rebelde às vossas inspirações! E vós, ó Deus meu! Vós usáveis de paciência para comigo; as minhas misérias aumentavam e vós vos aproximáveis insensivelmente de mim; a vossa doce mão ia se chegando, chegando, sem eu dar por ela, para tirar-me do lodo e purificar-me. Ó Jesus! Bom pastor! Que ações de graças vos darei por tanto amor?

Jesus é o bom pastor, ele ama as suas ovelhas a ponto de as nutrir do seu próprio corpo e do seu próprio sangue. Ah! Que pastor se sacrificou jamais assim por seu rebanho? Só Jesus era capaz de tal excesso de amor. Muitas mães recusam nutrir seus filhos e os dão a amamentar a estranhos; não assim o nosso bom Salvador; não contente com dar-nos sua vida e merecimentos, quer ser ainda nosso sustento.

Senhor Jesus, como é possível que eu pudesse abandonar um Senhor tão terno e tão cheio de amor? Ah! Que felicidade a minha se, ovelha fiel, sempre me conservara junto a vós!… Mas, ai! O mal está feito, fui ingrato e me apartei do meu melhor amigo. Bom Jesus, tende de mim piedade; eis que eu volto a vós todo coberto ainda das chagas que recebi e todo confuso da minha fugida; eu vos suplico, não me rejeiteis. Recordai-vos, ó meu querido Salvador! Que sou uma dessas pobres ovelhas pelas quais destes a vida. Lançai ainda sobre mim um desses olhares de misericórdia que outrora lá do alto da Cruz deixastes cair sobre os pecadores, quando por minha salvação exalastes o último suspiro. Sim, Jesus meu, concedei-me ainda um desses doces olhares; mudai-me, fazendo-me melhor e salvai-me. Pois que! Não sois vós aquele pastor cheio de amor, “que, tendo perdido uma de suas ovelhas, deixa as outras noventa e nove no deserto, para se ir após a que se perdeu, até que a ache; não sois vós que, depois de a achar, a pondes sobre os vossos ombros cheio de alegria, e chamais depois vossos amigos e vizinhos”, isto é, os anjos santos, e lhes dizeis:

Regozijai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que se havia perdido?”

Sim, meu Jesus, sois vós mesmo, e eu sou essa pobre ovelha desgarrada. Eis-me a vossos pés, e espero que me tomeis em vossos braços, para me reconduzir ao aprisco. Oh! Jesus! Bom Jesus! Não priveis o Céu da alegria que ele sentirá vendo-vos voltar com um pobre pecador de que tereis feito um santo! Recebei-me ainda no numero de vossas ovelhas queridas.

Ah! Se por minha falta ainda não me pudestes encontrar desde que com tanto amor andais em minha procura, recolhei-me agora que venho me lançar a vossos pés, e prendei-me estreitamente a vós, para que não mais volte à minha perda. É preciso que o vosso amor seja o laço que a vós me tenha vinculado; porque se vós me não retendes por esta doce cadeia, escapar-vos-ei de novo. Ah! Senhor, não sois vós que tivestes a culpa de eu não ter estado sempre unido a vós pelo laço do vosso amor; eu, eu ingrato como era, é que me conservei sempre afastada de vós por minha fugida. Mas agora eu vos conjuro por esta infinita misericórdia, que vos fez descer sobre a terra a fim de me procurar, prender-me a vós, mas prender-me com um laço dúplice de amor, a fim de que nem vós me percais mais a mim, nem eu a vós. Meu querido Redentor! Não quero mais separar-me de vós; renuncio a todos os bens e prazeres do mundo, e ofereço-me a sofrer toda a sorte de penas e todo o gênero de morte, contanto que viva e morra unido sempre a vós. Eu vos amo, amabilíssimo Jesus; amo-vos, ó meu bom pastor, que morrestes por vossa ovelha transviada! Oh! Ficai-o sabendo bem, esta ovelha agora ama-vos mais do que a si mesma e outra coisa não quer mais que amar-vos e consumir-se por vosso amor. Tende piedade dela, ó Jesus! Amai-a, e não permitais que doravante se afaste jamais de vós. Assim seja.


RESOLUÇÕES PRÁTICAS

Da Comunhão Espiritual

Bom é que saibas, meu caro Teótimo, que segundo a doutrina do concilio de Trento, pode-se comungar de três modos: o primeiro, comunhão só sacramental; o segundo, só espiritual, e o terceiro, sacramental e espiritual. Não trato aqui da primeira, que é a que só fazem os que comungam em estado de pecado mortal, nem da terceira que é comum a todos os que recebem Jesus Cristo em estado de graça; mas unicamente da segunda que, segundo as formais palavras do mesmo concilio, “consiste num desejo ardente de se nutrir deste pão celeste, com uma fé viva que opera pela caridade e que nos torna participantes dos frutos e graças deste sacramento“. Portanto, segundo esta doutrina, os que não receberem realmente a Eucaristia, recebem-na espiritualmente, formando ato de fé viva, caridade ardente, e desejo vivo de se unirem ao sumo bem: é assim que se põem no estado de participar dos frutos deste divino sacramento.

Para te facilitares nesta prática tão vantajosa, pensa bem, meu caro Teótimo, no que vou dizer-te. Quando assistires à santa missa e o padre estiver para comungar, (estando tu mesmo na mais modesta postura e no mais recolhimento), faze de todo o coração um ato de verdadeira contrição, e ferindo humildemente o peito, para mostrares que te confessas indigno de graça tão grande, faze todos os atos de amor, oferecimento, humildade e outros que costumas fazer quando te aproximas da sagrada mesa. Junta-lhes o mais vivo desejo de receber a Jesus Cristo que por nós quis velar-se sob as espécies sacramentais; e, para reanimar a devoção, imagina que a Santa Virgem ou qualquer de teus santos patronos, vem trazer-te a santa hóstia; afigura-te que a recebes realmente; e tendo Jesus estreitamente unido ao coração, repete por muitas vezes e por diferentes intervalos, em termos ditados pelo amor:

Vinde, Jesus meu, amor e vida da minha alma; vinde a este pobre coração, vinde e saciai os meus desejos; vinde e santificai a minha alma; vinde, ó dulcíssimo Jesus, vinde”

Conserva-te depois em silêncio, e contempla o teu Deus dentro de ti mesmo; e, como se realmente comungarás, adora-o, agradece-lhe e faze todos os atos ordinários depois da comunhão.

Ora, meu caro Teótimo, persuade-te bem que esta comunhão, tão negligenciada pelos cristãos dos nossos dias, é, não obstante, um verdadeiro tesouro, que enche a alma de uma infinidade de bens; e, segundo muitos autores, entre outros o Padre Rodrigues na “Prática da perfeição Cristã” (Tratado VII, Cap. XV) ela é tão útil, que pode produzir as mesmas graças que a comunhão sacramental, e mesmo maiores ainda; porque, bem que a comunhão sacramental seja de sua natureza de um grande fruto, pois sendo um sacramento, opera por virtude própria, pode contudo muito bem uma alma desejosa da sua perfeição fazer uma comunhão espiritual com tanta humildade, amor e devoção, que mereça graça maior do que a alcançada por uma alma que comunga sacramentalmente, mas com menos fervor e preparação… Seria possível que tão grandes bens não fizessem impressão alguma sobre ti? Que escusa daqui por diante podes tu dar se também desprezas uma prática tão santa e tão útil? Toma a resolução de a fazer frequentemente, e nota que a comunhão espiritual tem a vantagem sobre a sacramental em que esta se pode fazer só uma vez ao dia, ao passo que aquela pode-se fazer não só a todas as missas que ouças, mas em todo o tempo do dia; de manhã, à tarde, de dia, de noite, na Igreja, em teu quarto, sem mesmo teres necessidade da licença do confessor. Numa palavra, quantas vezes fizeres o que acabo de indicar-te, tantas farás a comunhão espiritual, e enriquecerás a tua alma de graças, de méritos e de toda a sorte de bens. Quantas almas por esta prática voluntária, reiterada muitas vezes durante o dia, chegaram a uma grande santidade! (Extraído do “Manual de piedade para uso dos seminários”)


Receba o conteúdo deste blog gratuitamente. Cadastre seu e-mail abaixo.



FONTE: in As Chamas do Amor de Jesus, Abade D. Pinnard, traduzido pelo Rev. Padre Silva, 5ª edição popular, 1923 Cap. XLIII, obtida do blog Alexandria Católica – Texto revisto e atualizado e com algumas adaptações.

sexta-feira, 16 de abril de 2021

GARCÍA MORENO, UM PRESIDENTE MORTO POR CONSAGRAR O PAÍS AO SAGRADO CORAÇÃO

GARCÍA MORENO, UM PRESIDENTE MORTO POR CONSAGRAR O PAÍS AO SAGRADO CORAÇÃO



No dia seis de agosto de 1875, na principal praça de Quito, Equador, morria um homem. Era a primeira sexta-feira do mês. Um pouco antes, depois de passar um tempo em adoração ao Santíssimo Sacramento na Catedral, o homem dirigiu-se ao Palácio Presidencial para reunir-se com seus ministros. Quando aproximava-se do Palácio, uma emboscada o esperava e ele foi abatido por golpes de facão, com gritos de seus algozes: “Morra, assassino da liberdade!” ao que respondia o homem: “Deus não morre”. Ele viveria tempo suficiente para receber a Extrema Unção e fazer as pazes com seus carrascos, perdoando-os sinceramente. Assim foram as últimas horas de Gabriel García Moreno.

García Moreno havia acabado de ser reeleito Presidente da República do Equador para um terceiro mandato. Seus amigos alertaram-no insistentemente sobre as conspirações maçônicas para assassiná-lo e pediram que o homem arrumasse um guarda-costas. A este último pedido, terminantemente ele negou. Descartando tais admoestações, dizia ele:

Não posso consentir em ter uma guarda. Meu destino está nas mãos de Deus, Aquele que irá me levar deste mundo na hora e da forma que mais agradá-lO.”

Gabriel García Moreno é conhecido como o maior estadista católico da era moderna. Diferente de muitos políticos modernos que avaliam a grandeza de uma civilização pelo seu progresso material, García Moreno entendeu que o critério decisivo para uma civilização de verdade estava na perfeição moral e religiosa de seu povo.

Os primeiros anos

Em meio às guerras sul-americanas pela independência, nascia o jovem García Moreno em Guayaquil, no quarto dia de dezembro de 1821. Seu pai era emigrado da região de Castela e sua mãe era de família cujos membros ocupavam importantes cargos civis e eclesiásticos tanto na Espanha quanto no Novo Mundo. Ambos foram fervorosos na Fé católica e criaram oito filhos, sendo Gabriel o mais novo.

Por ter perdido o pai enquanto ainda era menino, García Moreno não teve a mesma educação que seus irmãos mais velhos. Foi então que um monge de um mosteiro local tomou o jovem sob sua tutoria e educou-o nos assuntos elementares. O garoto, assim, daria grandes passos. Ao mudar-se para Quito para cursar o ensino médio, ele estudou matemática, filosofia e ciências naturais no Colégio de San Fernando, dentro da Universidade de Quito, além de adquirir fluência em francês e inglês nesta mesma época.

Naqueles anos, a piedade de García Moreno já era notável entre seus amigos. Ele estava presente em todos os exercícios religiosos e recebia a Sagrada Comunhão semanalmente. Ele chegou a pensar que teria uma outra vocação e, brevemente, fez uma experiência clerical. No entanto, ele depois descobriria que seu chamado era de o de estar no mundo.

Por amar a justiça e ver nesta disciplina um meio para entrar na vida pública, García Moreno iniciou os estudos do Direito. Ele chegou ao grau de Doutor em Direito aos 23 anos. Como advogado, ele recusava em absoluto qualquer caso que a justiça não estivesse ao seu lado. Uma vez solicitado por um juiz para defender um famoso assassino, ele rejeitou e disse: Seria mais fácil tornar-me eu mesmo um assassino do que defender um.

Ele não exerceu a advocacia por muito tempo e logo mudou para o jornalismo. Pouco tempo depois da volta dos Jesuítas ao Equador, uma polêmica emergiu quando a maçonaria publicou um panfleto desonesto onde caluniava a ordem religiosa. García Moreno, então, escreveu uma brilhante resposta, intitulada “Defensa de los Jesuitas”, onde ele, indignado, declarava:

Presidente Gabriel García
Moreno

Vocês fingem querer exterminar os Jesuítas alegando ser por amor e para a maior glória da Igreja Católica. Mentiras e falsidade! Vocês apenas atacam os Jesuítas, porque querem atacar o Catolicismo. É um fato histórico este o de todos os inimigos da Igreja Católica abominarem a Companhia de Jesus.

À medida em que o mal começava a querer triunfar no Equador, García Moreno continuava com o jornalismo de maneira admirável. Dentro do governo corrupto de Vicente Ramón Roca, vociferava ele: “Próximos desses traidores, há uma porção de homens nobres e corajosos, dispostos a sacrificar até a última gota de sangue para não abandonar Deus e seu país”. Munido de um talento considerável, ele empunhava sua caneta para desmascarar os vícios dos líderes do país. Ao protestar contra o tirano José María Urbina, ele disse: Nenhum vício ou crime é desconhecido dele. Traição, falso testemunho, fraude, roubo, crueldade, deslealdade, nada falta. Sua vida ignóbil é escrita aos poucos no código penal.

Depois de ter sido eleito senador em 1853, ele foi forçosa e ilegalmente retirado do posto pelo general Francisco Robles, um dos militares próximos ao presidente Urbina. García Moreno seria enviado para o exílio, passado na França.

Enquanto morava em Paris, ele viveu um tempo de conversão ainda mais profundo. Ele, agora, passaria mais tempo dedicado ao estudo e a oração. A frequência diária na Missa, a oração diária de uma dezena do Rosário, ele evitava todas as distrações. Em Paris, ele morava como um eremita em um pequeno apartamento, onde estudava noite adentro. Nesta época, ele dizia: Eu estudava dezesseis horas por dia e, se um dia tivesse quarenta e oito horas e não vinte e quatro, eu ficaria feliz em dedicar quarenta horas para o meu trabalho. Em que consistiam estes estudos? Dentre outras coisas, ele estudou cuidadosamente a legislação social em vários países europeus. Ele também leu a obra de Abbé Rohrbacher, L’Histoire universelle de l’Église Catholique, de onde aprendeu como a Igreja e o Estado podem trabalhar juntos de forma harmoniosa.

Foi então que os amigos de García Moreno solicitaram ao General Robles que providenciasse um salvo-conduto do exílio para sua pátria. Ao retornar, ele foi escolhido como reitor da Universidade de Quito. Nesta academia, ele ministrou aulas brilhantes de química, doando seu laboratório pessoal para a universidade.

Durante os governos anteriores de Vicente Roca, José María Urbina e Francisco Robles o país havia sido submetido a ditaduras tirânicas e assolado pela guerra civil. De tempos em tempos, a eleição de bons homens para a Câmara era invalidada por estes tiranos. Enquanto que, ao mesmo tempo, o tesouro era saqueado por tais líderes e seus comparsas. Não havia orçamento estatal, muito menos responsabilização por tudo isso. Além disso, o ensino superior foi depreciado e destruído. Durante a intervenção do presidente Urbina, os estudantes foram admitidos a colar grau sem nenhum estudo ou exame. Por último, mas não menos importante: a Igreja foi duramente perseguida. O bispo de Guayaquil foi expulso e substituído por um “fantoche” clerical de Urbina. Aqueles “suspeitos de costume”, os Jesuítas, foram ajuntados e todos expulsos de uma vez do país. Conventos tornaram-se quartéis e instituições eclesiásticas foram secularizadas. As escolas primárias foram abolidas. O que dizer dos louvados mantras do “Iluminismo” e do “Progresso”? Se a Revolução encontrasse continuidade, o Equador, certamente, seria impelido como sendo a “Idade das Trevas” moderna.

Enquanto isso, García Moreno foi novamente eleito para o Senado. Por sua eloquência como senador em 1857, ele encabeçou a aprovação de uma lei que determinava a dissolução de todas as lojas maçônicas no Equador. Sua razão era simples: o caráter antirreligioso. De forma dissimulada, o governo declarou que as lojas não tinham caráter irreligioso e recusou aplicar a lei. Este era o estado daquela nação pouco antes de García Moreno ser eleito presidente.

Sua vida espiritual

O segredo por trás do sucesso de García Moreno como líder e estadista estava em sua vida interior. Um homem de profunda piedade, ele percebeu que, para recompor o povo equatoriano, ele precisaria primeiro formar um relacionamento com Cristo através da oração e, também, santificar sua alma. Sua vida interior bem determinada estava claramente revelada em sua Regra de Vida escrita na última página de seu exemplar de A Imitação de Cristo, encontrado junto de si depois de ter sido assassinado. Entre as diretrizes de sua Regra, via-se as seguintes:

Toda manhã ao fazer minhas orações, vou pedir, em especial, por humildade.

Todos os dias vou ouvir a Missa, rezar o Rosário e ler, além de um capítulo d’A Imitação, esta regra e as instruções anexas.

Terei o cuidado de me manter, ao máximo, na presença de Deus, especialmente em conversas, assim evito falar palavras inúteis. Vou constantemente oferecer meu coração a Deus, principalmente antes de iniciar qualquer ação.

Farei um exame de consciência específico, duas vezes por dia, quanto a prática de virtudes e um exame geral todas as noites. Vou me confessar toda semana.

Sua Regra de Vida também demonstra a disciplina empregada em sua rotina. Seu dia era ordenado e regrado. Levantava às cinco da manhã, ia à igreja às seis para Missa e meditação. Sete horas da manhã ele visitava os doentes no hospital e, depois, trabalhava em seu quarto até dez horas da manhã. Após um simples café, ele trabalhava com seus ministros até três horas da tarde. Depois do jantar, às quatro da tarde, ele fazia as visitas necessárias e resolvia problemas. Entre seis e nove da noite, ele já estava em casa para passar um tempo com a família. Quando todos descansavam ou buscavam os divertimentos noturnos, ele retornava ao seu escritório para trabalhar até onze horas da noite, às vezes até a meia noite.

García Moreno certamente não era perfeito. Ele poderia ser impaciente e imperioso. No entanto, ele realmente tinha a humildade de admitir quando estava errado. Certa vez, quando estava submerso em questões do trabalho, um sacerdote o abordou sobre um assunto insignificante. Ao que, de maneira brusca, respondeu ele: Não valeu a pena incomodar-me com assunto tão pequeno. O sacerdote, humilhado, saiu depressa. Na manhã seguinte, porém, García Moreno visitou o sacerdote e pediu perdão por sua “conduta apressada e desrespeitosa”. Ele não era conhecido por gabar-se de qualquer conquista própria. Além disso, por correspondências, ele solicitava correção fraterna de prelados ou até de almas com odor de santidade.

Sagrado Coração de Jesus.Equador
(Quadro do Sagrado Coração, com o qual
Dom José Inácio C. y Barba  e Gabriel
García Moreno fizeram a consagração
 do Equador)

Conquistas como presidente

Durante o primeiro mandato como presidente (1861-1865), García Moreno tentou limpar a bagunça política, financeira, educacional e eclesiástica que os liberais e radicais egocêntricos haviam legado ao país.

Um dos primeiros objetivos de García Moreno era justamente a negociação de uma concordata junto da Igreja Católica. Do ponto de vista da Igreja, esta concordata (1862) foi um dos acordos mais favoráveis já feitos com qualquer Estado.

Quando ele chegou ao ofício, ele tinha três tarefas importantes. Era preciso reformar a governança, o estado financeiro do país e o exército. O governo estava repleto de oportunistas que devoravam, de forma voraz, a riqueza do Estado às custas do povo. García Moreno dispensou estes e substituiu-os por homens honestos que ele esperava trabalhar regular e diligentemente.

Ele também concentrou sua atenção no desastre financeiro do país. O governo tomou empréstimos sem limites, taxou o povo impiedosamente, não conseguiu controlar os gastos e não manteve um orçamento. Depois de trabalhar incansavelmente para zerar a dívida, García Moreno introduziu um método melhor para registro contábil, criou um Conselho de Controle para atuar na fiscalização de fraudes no órgão executivo e removeu todos os oficiais envolvidos em desvio de verba pública. Ele mesmo recusou receber o salário presidencial: ele devolveu uma parte para o tesouro nacional e outra doou para obras de caridade.

Depois de restaurar a ordem e a paz no Equador, García Moreno iniciou a implementação de seus planos para a restauração social de uma civilização cristã. Dessa forma, ele debruçou-se na educação. Ao passo que os revolucionários e a maçonaria desejavam laicizar a educação ao erradicar qualquer influência de moralidade ou religião nos jovens, ele decidiu fazer exatamente o oposto. Ele convidou congregações religiosas francesas para formar o intelecto e os corações dos jovens, para cuidar dos doentes nos hospitais e dos criminosos nos presídios. Os Jesuítas, outrora dispensados, também foram recebidos de volta.

García Moreno acreditava ser muito difícil continuar a reformar o país e manter a estabilidade com aquela velha constituição; assim, ele fez pressão para a composição de uma nova. Em 1869, a nova constituição foi estabelecida no Congresso. Entre as principais mudanças: maior poder do governo sobre as forças armadas; poder de veto do governo sobre o Congresso; e a permissão para o governo estabelecer uma lei marcial durante revoltas. “A Fé Católica Apostólica Romana era a religião do Estado e dispensava-se todas as outras”. O Estado daria suporte à Igreja em todos os seus direitos e privilégios. Para garantir esta medida, somente católicos seriam admitidos para ocupar cargos públicos. Surpreendentemente, o Congresso aprovou esta última cláusula quase de maneira unânime, com apenas dois votos contrários. Por último, membros de sociedades secretas foram privados dos direitos civis.

O governo de García Moreno no Equador alcançou um sem número de reformas, porque incluíram mudanças significativas nas forças armadas, na educação e no atendimento aos pobres e doentes. Ele tratou com singular atenção o bem-estar dos índios e dos pobres de zona rural, no interior do Equador, patrocinando missões de Jesuítas e Redentoristas para proteger este povo simples da exploração. Ele também dedicou esforço considerável para melhorar a infraestrutura do país por meio da construção de estradas e torres de farol, pavimentação de ruas e a restauração da beleza da capital do país.

Ilustração do assassinato do Presidente Gabriel García Moreno

Últimas considerações

Após o assassinato de García Moreno, toda a cidade de Quito entrou em luto e os sinos tocavam ininterruptamente. Os conspiradores pensaram que o assassinato desencadearia uma revolução. Tamanha seria a frustração destes. Por três dias, enquanto seu corpo era velado na Catedral, milhares de pessoas, aos prantos, foram prestar condolências ao homem que tanto havia feito pelo país. Na sessão de 16 de setembro de 1875, o Congresso equatoriano emitiu um decreto onde prestava homenagem a García Moreno, “O Restaurador de seu país e Mártir da civilização católica”.

Passados apenas dois anos do assassinato de García Moreno, outro assassinato escandalizava o país: o do Arcebispo de Quito. No dia 30 de março de 1877 – uma Sexta-Feira Santa –, o Arcebispo José Ignacio Checa y Barba purificava o cálice com vinho após consumir a Hóstia durante a Solene Ação Litúrgica da Paixão do Senhor e notou que o vinho tinha um sabor amargo. Pouco depois do culto, ele morreria com dolorosas convulsões. Uma autópsia revelou que o vinho havia sido envenenado com estricnina. Apenas algumas semanas antes do assassinato, o governo de Ignacio de Veintemilla começou a perseguir a Igreja. Em particular, os sermões sofreram censuras por parte do governo. Tal medida levou o gentil bispo a protestar vigorosamente contra estas injustiças do governo. Nunca ninguém foi acusado do assassinato, entretanto, a suspeita recaiu sobre o governo. Junto de García Moreno, o Arcebispo Checa y Barba foi quem consagrou o Equador ao Sagrado Coração.

Como García Moreno ajudou avidamente a Igreja a influenciar a sociedade, ele foi chamado de “teocrata”. Entretanto, o estadista não fazia nada além de propagar o Reinado Social de Cristo – este seria, precisamente, o assunto que Pio XI trataria em sua carta encíclica Quas Primas, cinquenta anos mais tarde. Tal qual seu contemporâneo, o Cardeal Louis Pie de Poitiers, García Moreno também reconheceu que, se “a época não é favorável para o reinado de Cristo, ela também não é favorável para que governos perdurem”. Ao consagrar seu país ao Sagrado Coração de Jesus em 1873, o presidente construía a base sólida para a futura prosperidade e sucesso do Equador.



☞ Nota da Fonte: A maioria das citações foram retiradas de García Moreno, President of Ecuador, do Pe. Augustin Berthe.



Receba o conteúdo deste blog gratuitamente. Cadastre seu e-mail abaixo.




FONTE: Centro Dom Bosco. Alguns destaques foram acrescidos.


sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

NOSSA MENSAGEM DE NATAL

NOSSA MENSAGEM DE NATAL


1. «Regem venturum Dominum, venite, adoremus».

«Vinde, adoremos o Rei, o Senhor, que há-de vir».

Quantas vezes repetimos estas palavras

ao longo do tempo do Advento,

dando eco à expectativa da humanidade inteira!



Projetado para o futuro desde as suas origens mais remotas,

o homem anseia por Deus, plenitude da vida. Desde sempre

invoca um Salvador que o livre do mal e da morte,

que sacie a sua necessidade congênita de felicidade.

Já no jardim do Éden, depois do pecado original,

Deus Pai, fiel e misericordioso,

lhe tinha preanunciado um Salvador (cf. Gen 3,15),

que haveria de reconstituir a aliança violada,

instaurando um novo relacionamento

de amizade, de conciliação e de paz.


2. Esta boa nova, confiada aos filhos de Abraão,

desde a altura do êxodo do Egito (cf. Ex 3,6-8),

ressoou ao longo dos séculos como grito de esperança

na boca dos profetas de Israel,

que de tempos a tempos foram recordando ao povo:

«Prope est Domine: venite, adoremus».

«O Senhor está perto: vinde adorá-Lo»!

Vinde adorar a Deus que não abandona

aqueles que O procuram de coração sincero

e se esforçam por observar a sua lei.

Acolhei a sua mensagem,

que robustece os espíritos extenuados e abatidos.

Prope est Domine: fiel à antiga promessa,

Deus Pai realizou-a agora no mistério do Natal.


3. Sim! A sua promessa, que alimentou

a expectativa confiante de tantos crentes,

fez-se dom em Belém, em plena Noite Santa.

Recordou-no-lo ontem a liturgia da Missa:

«Hodie scietis quia veniet Dominus,

et mane videbitis gloriam eius».

«Hoje sabereis que o Senhor há-de vir:

amanhã vereis a sua glória».

Esta noite vimos a glória de Deus,

proclamada pelo cântico jubiloso dos anjos;

adoramos o Rei, Senhor do universo,

juntamente com os pastores que guardavam o seu rebanho.

Com os olhos da fé, também nós vimos,

deitado numa manjedoura,

o Príncipe da Paz,

e, ao seu lado, Maria e José

em silenciosa adoração.


4. Às multidões de anjos, aos pastores extasiados,

unimo-nos neste dia também nós cantando jubilosos:

«Christus natus est nobis: venite, adoremus».

«Cristo nasceu para nós: vinde, adoremos».

Desde aquela noite de Belém até hoje,

o Natal continua a suscitar hinos de alegria,

que exprimem a ternura de Deus

semeada no coração dos homens.

Em todas as línguas do mundo,

é celebrado o acontecimento maior e o mais humilde:

o Emmanuel, Deus connosco para sempre.


Como são sugestivos os cânticos inspirados pelo Natal

em cada povo e cultura!

Quem não conhece a emoção que eles provocam?

As suas melodias fazem reviver

o mistério da Noite Santa;

testemunham o encontro entre o Evangelho e as estradas dos homens.

Sim! O Natal entrou no coração dos povos,

que olham para Belém com contagiante admiração.


(...)


A luz que emana de Belém

nos salve do risco de nos resignarmos

a tão atribulado e inquietante cenário.


(...)


6. A alegria do Natal, que canta o nascimento do Salvador,

infunda em todos confiança na força da verdade

e da firme perseverança no cumprimento do bem.

Para cada um de nós ressoe a mensagem divina de Belém:

«Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria:

hoje, na cidade de David, nasceu-vos

um Salvador, que é o Messias Senhor» (Lc 2,10-11).


Hoje resplandece Urbi et Orbi,

sobre a cidade de Roma e sobre o mundo inteiro,

o rosto de Deus: Jesus no-Lo revela

como Pai que nos ama.

Ó vós todos que procurais o sentido da vida;

vós que trazeis ardentemente no coração

um anseio de salvação, de liberdade e de paz,

vinde encontrar o Menino nascido de Maria:

Ele é Deus, nosso Salvador,

o único digno deste nome,

o único Senhor.

Ele nasceu para nós, vinde, adoremos!



___________São João Paulo II, Papa. "Urbi et Orbi" (excertos) - Natal de 1998



COM ESTA MENSAGEM,


DESEJAMOS A TODOS OS NOSSOS AMIGOS,


SEGUIDORES E VISITANTES,


UM SANTO E ABENÇOADO NATAL DO SENHOR!



Receba o conteúdo deste blog gratuitamente. Cadastre seu e-mail abaixo.



FONTE: http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/messages/urbi/documents/hf_jp-ii_mes_25121998_urbi.html

sexta-feira, 31 de julho de 2020

A DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS ENTRE OS JESUÍTAS

A DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS ENTRE OS JESUÍTAS


O Sagrado Coração adorado por Santo Inácio de Loyola e São Luís Gonzaga

Neste dia 31 de Julho que a Igreja celebra a festa do fundador da Companhia de Jesus, os Jesuítas, oferecemos um brevíssimo histórico da devoção ao Sagrado Coração de Jesus entre os filhos de Santo Inácio de Loyola, os Jesuítas.

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus será o fogo Sagrado, que há de purificar e inflamar o mundo resfriado na caridade, como disse o apóstolo amado a Santa Gertrudes. É obra de Deus; encontrará dificuldades, oposições, e perseguições de toda parte, mas triunfará porque Nosso Senhor deu sua palavra. «Eu reinarei apesar da raiva dos meus inimigos». Mas é lícita essa pergunta: - de onde há de vir o auxílio? Já almas cheias de zelo apostólico de muito terno amor ao Sagrado Coração de Jesus, têm se consagrado à missão de propagar a sua devoção: estas hão de continuar, e o movimento se observa, é consolador. Primeiramente nas casas religiosas, daí espalhar-se pelo mundo afora e a atrair tantos corações para este Coração Divino, centro de caridade.

Nosso Senhor, porém, não limita a missão dessas almas apostólicas, não dá a missão de propagar a devoção de seu Sagrado Coração exclusivamente a uma ordem religiosa. Contudo, a Santa Margarida Maria, que precisava de auxílio e conforto, manda o Padre de la Columbière da Companhia de Jesus e dá-lhe a entender que a devoção ao seu Divino Coração acharia apoio e defesa nos padres dessa Companhia. Disse-lhe ainda mais, que os filhos de Santo Inácio os tinha destinado para colaboradores especiais das Irmãs Visitandinas nesta propaganda. É célebre a visão que teve Santa Margarida e que ela conta em uma carta à sua antiga madre superiora, a Madre Saumaise.

Era 2 de Julho de 1688, festa da Visitação. Santa Margarida estava em adoração diante do SS. Sacramento exposto, e sentia alegrias inexprimíveis. Refere então o seguinte: «De repente me achei presente em um lugar espaçoso, elevado e encantador por sua beleza, no meio do qual se levantava um trono de chamas. Sobre este trono estava o amável Coração de Jesus, ferido, e da ferida saiam raios tão inflamados e resplandecentes, que aqueciam e iluminavam aquele lugar. De um lado estava a Santíssima Virgem, do outro S. Francisco de Sales com o Santo Padre de la Columbière; aí estavam também as Religiosas da Ordem da Visitação acompanhadas de seus Anjos da Guarda, e cada uma delas tinha um coração na mão.

A Santíssima Virgem convidava-nos, com estas palavras, a nos aproximarmos d'Ela: «Vinde, minhas Filhas bem-amadas; chegai-vos, quero fazer-vos depositárias deste tesouro, que o sol de justiça formou na terra virginal do meu Coração… E mostrando-lhes aquele Coração Divino, dizia: Eis o tesouro precioso, que foi descoberto especialmente para vós… «Voltando-se depois para o bom Padre de la Colombière, disse-lhe a Santíssima Virgem: Vós também, servo fiel do meu Divino Filho, tendes grande parte neste tesouro preciosos, porque se às Filhas da Visitação foi dado conhecê-lo e distribuir aos outros, aos Padres da Companhia é reservada a missão de mostrar e fazer ver sua utilidade a e valor e dispor os homens aproveitarem dele, recebendo-o com grande respeito e gratidão, que merece um tão grande benefício.

«Este Coração Divino, fonte de bênçãos e de graças, na mesma medida em que se esforçarem para dar-lhe este prazer, há de derramá-las tão abundantes sobre seu ministério, a ponto de torná-los mais frutíferos do que se podia esperar: e ao mesmo tempo, eficazes para a salvação e perfeição de cada um deles em particular».

A Companhia de Jesus escolhida para a missão, já se achava preparada.

SANTO INÁCIO DE LOYOLA, o santo fundador da Companhia (1491-1556) soube pôr as almas no caminho seguro de chegar ao Sagrado Coração de Jesus. No livro dos Exercícios, termina o estudo sobre os mistérios da vida do Redentor com a meditação sobre o amor divino. Recitava muito frequentemente, e recomendou vivamente a oração «Anima Christi»*, na qual pede que sejam lavadas as manchas de sua alma com a água puríssima saída da chaga do Costado de Jesus e, ainda mais, pede com todo fervor para entrar nas chagas do Salvador, para viver nelas oculto de todos. Escondido na chaga do costado, tão vizinha do Coração de Jesus, não terá ele sentido as ardentes chamas que saíam da fornalha ardente desse Sagrado Coração?

* Alma de Cristo, santifica-me. Corpo de Cristo, salva-me. Sangue de Cristo, inebriai-me. Água do lado de Cristo, lavai-me. Paixão de Cristo, confortai-me. Ó bom Jesus, escutai-me. Dentro das vossas chagas, escondei-me. Não permitais que de vós me aparte. Do espírito maligno, defende-me. Na hora da morte, chamai-me e mandai-me ir para vós, para que, com os vossos santos, vos louve para todo o sempre. Amém.

S. FRANCISCO DE BÓRGIA (1510-1572), compôs uma oração belíssima à chaga do costado**; nessa oração só fala a palavra – coração: Te saúdo ó chaga santíssima do costado do meu Senhor… fonte limpidíssima de eterna felicidade… a lança do soldado te abriu, mas a Onipotência divina te conserva. Eu fixo em ti minha morada… coloco em ti tudo quanto eu sou… e humildemente imploro a bondade do meu Senhor, que por tua virtude me curou e por ti me sustenta a cada momento.

** Entenda-se por “chaga do costado”, a “Chaga do Lado de Cristo”, aberta pela lança do soldado Longino (Jo. 19, 34)

O BEATO CANÍSIO (1521-1527), o apóstolo da Alemanha, o martelo dos hereges, alcançou o fervor do apostolado na fonte da água viva, que é o Coração de Jesus. Ele conta o seguinte fato: «No dia da minha profissão, dirigia-me para o altar, quando apareceu-me um anjo e descobriu-me a miséria e o abismo de minha indignidade. Então vós, ó meu divino Redentor, abriste-me o vosso Coração, convidaste-me a chegar-me a ele, junto às águas da salvação, e me ordenaste que bebesse nesta fonte santa. Que desejo ardente tinha eu de ser inundado pelas águas do amor, de esperança e de fé, que eu via correr dela! Que sede de castidade, de obediência e de pobreza! Pedi-vos que me purificásseis, que me vestísseis de inocência, como no dia de meu batismo; finalmente, chegando os lábios sequiosos ao vosso dulcíssimo Coração, ousei matar minha sede nesta divina fonte.

E vós me prometestes, ó meu Deus, de vestir minha miséria com uma veste celeste de pano de três qualidades, que são os santos votos, e me garantiste ainda a paz, a caridade e a constância. Adornado com esta veste de salvação, fiquei profundamente convencido de que mais nada me faltaria, e que em tudo havia ser bem sucedido para vossa maior glória.»

Esta visão deixou na alma do Beato Canísio uma lembrança indelével e desde aquele momento ele começou a invocar o Sagrado Coração de Jesus com toda familiaridade; como um amigo que fala com outro amigo. Todos os dias recitava esta devota oração: «Vos louvo, bendigo, glorifico e saúdo, ó Coração amabilíssimo e dulcíssimo de Jesus, meu fidelíssimo amigo; vos agradeço a fidelidade com que me protegestes e guardastes esta noite e prestastes a Deus Pai a homenagem do louvor e de agradecimento que eu lhe devia. E agora, meu único amigo, ofereço-vos os meu coração, esconjurando-vos que neste dia me concedais que minhas palavras, meus pensamentos e a minha vontade sejam conformes à vossa amabilíssima vontade.»

S. LUÍS GONZAGA (1568-1591), segundo a revelação de Santa Magdalena de Pazzi, vivia estreitamente unido ao Divino Coração de Jesus. «Exclama ela: 'quão grande é a glória de S. Luís! Eu não acreditaria se o mesmo Deus não tivesse revelado. Luís, aqui na terra, amou muito: eis o motivo do seu grande gozo de Deus na plenitude do amor. Quando estava no mundo, Luís despedia flechas de amor para com o Coração do Verbo: agora que está no céu, goza da união com Deus, que mereceu por sua vida de ardente caridade na terra.'»

S. Luís morreu em 21 de Junho, que era justamente a sexta-feira depois da oitava da festa de Corpus Christi, dia que mais tarde foi escolhido para festa em honra do Sagrado Coração de Jesus. Em 1675, S. Luís apareceu ao seu irmão de religião, noviço da Companhia de Jesus, Nicolau Celestini, e curou-o com a condição de empregar a saúde que lhe era concedida em propagar a devoção ao Divino Coração de Jesus, devoção gratíssima ao céu.

S. AFONSO RODRIGUES (1543-1617). Como S. Luís Gonzaga foi cheio de ternura e ardente devoto do Sagrado Coração de Jesus. Tratando dos vários modos de união e transformação da alma em Cristo, habitando Cristo no alma e a alma no Sagrado Coração de Jesus, dizia: «Quando meditares na paixão do teu Deus, entre dentro de seu aflito e angustiado Coração, e tendo tomado lugar nesta morada celestial do seu Coração, chora os teus pecados lá dentro; chora o grande o mau que eles fizeram.» E continua: «A alma tendo entrado no Coração de Jesus, entre outras coisas ele lhe comunicará estas, que tanto ama nas almas, grande pureza e limpeza da alma e ardente amor para o mesmo Cristo, fazendo contigo o que tantas vezes vemos acontecer com o ferro, que está no fogo, que se torna fogo.

Como o Coração de Jesus é fogo de amor, estando n'Ele, que inflama as almas, Ele fará de maneira que tu te transformes em fogo de amor. Dentro do seu Coração bendito, Ele te concederá a graça de imitá-lO… para que vivas e sofras com Ele com amor e por amor.»

Prossegue o Santo: «A primeira união e transformação da alma em Cristo, é quando a alma encerra-se em Deus. Para dizer melhor, é quando Jesus Cristo a põe dentro do seu Coração e a faz habitar n'Ele. E lá dentro, comunica-lhe um grande conhecimento de sua paixão… de si mesmo e de seu grande amor, e um grande conhecimento de si mesma; e dá-lhe um grande amor e uma verdadeira união co o mesmo Jesus Cristo… tudo isto é o resultado do grande amor que ganhou lá dentro do Coração de Jesus»… Outra transformação é quando a alma, dentro do Coração de Jesus, Ele mesmo acende nela o seu amor, assim inflamada se abandona inteiramente à vontade de seu Jesus amado e Ele a possui.»

O VENERÁVEL PADRE JOSÉ DE ANCHIETA*** (✞1597). Primeiro apóstolo do Brasil, em 1585, um século antes das grandes revelações de Paray, fez uma Igreja em honra do Sagrado Coração de Jesus, na Diocese do Espírito Santo. A Igreja, que sem dúvida, é a primeira consagrada ao dulcíssimo Coração de Jesus, restaurada e solenemente consagrada em 1880, apresenta ainda alguns vestígios da devoção amada de seu fundador. No frontispício da Igreja, existe uma antiga pintura, que representa um cálice e sobre ele a imagem do Sagrado Coração de Jesus com a Cruz em cima. No interior, em meio da arcada do coro, vê-se, ligeiramente apagada, mais uma outra imagem do Coração de Jesus, que tem na chaga uma cruz no lugar da lança. No ano de 1562 ele publicou uma oração em latim, na qual exprimia o desejo ardente de entrar pela chaga do costado no Coração de Jesus, no qual propunha viver.

    *** O Pe. José de Anchieta foi beatificado em 1980 pelo Papa João Paulo II, e canonizado, em 2014, pelo Papa Francisco. É tido como o Apóstolo do Brasil.

Muitos outros padres da Companhia de Jesus se destacaram na propagação da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, como: o Pe. João Baptista de Sainte Jure (1588-1657), o Pe. Jacó Noute (1608-1680), o Missionário João Baptista Zappa (1651-1694), que teve uma vida muito semelhante a de Sta. Margarida Maria, o Pe. Mathias Hajnal (1578-1644), considerando o Apóstolo da devoção do Sagrado Coração de Jesus na Hungria, dentre outros, além dos que, em nossos dias, se dedicam a propagar e a reavivar esta preciosa devoção ao Divino Coração de Jesus.


Por Maria a Jesus!


Sou Todo teu, Maria.


Receba o conteúdo deste blog gratuitamente. Cadastre seu e-mail abaixo.



FONTEin Eu Reinarei A devoção ao Sagrado Coração de Jesus no seu Desenvolvimento Histórico, Pe. Fernando Piazza, OSC, tradução do Dr. Saladino de Aguiar, Edição da Escolas Profissionais do Lyceu Coração de Jesus, São Paulo/1932, Cap. XIII, pp. 168-173 – Texto revisto e atualizado, com destaques acrescidos e o título é nosso.